BALANÇO DA ATUAÇÃO PARTIDÁRIA DE 2005/2007
1. Período marcado por intensa crise política onde o alvo das forças conservadoras era o fim do
Governo Lula, O PCdoB carioca participou das mobilizações e lutas em sua defesa e para o avanço do governo federal por um projeto de desenvolvimento com geração de emprego e distribuição de renda e da preparação e ação da campanha eleitoral de 2006.
2. Na acirrada luta política de 2005 contra o Governo Lula, após exaustiva campanha da grande mídia, considerada hoje como um poderoso “partido” da direita brasileira, a oposição conquistou, principalmente, a chamada classe média. A Rede Globo, sediada no Rio, é seu principal instrumento
de massas. O quadro ficou mais adverso no Rio pela oposição sistemática da direita carioca e
pelos governos César Maia e Rosinha Garotinho, situação agravada pela fragilidade da aliança dos
partidos de sustentação de Lula. O cenário que só se reverteu, em parte, no 1º semestre de 2006.
3. Mesmo com a retomada de denúncias de corrupção nos últimos dias de campanha, ampliou
se o apoio massivo a Lula e a seu governo em todas as áreas populares, o que se comprovou no resultado eleitoral, sendo o mais votado da capital no 1º turno (43% de válidos) frente a todos os candidatos, vencendo também no 2º turno (66%). Ressalta-se a contribuição valorosa da militância
do PCdoB em geral e das campanhas dos candidatos a federal, a estadual e Jandira senadora,
neste acirrado embate. Ponto alto do 2º turno foi nossa participação na Caminhada Lula-Cabral com a Juventude pela Av. Rio Branco, com comício na Cinelândia, além da distribuição do material “PCdoB apóia Lula-Cabral” e as atividades nas áreas da saúde, da cultura, dos cedaeanos e dos
metalúrgicos. Com o discurso mais à esquerda, na ofensiva política e com a disputa polarizada, a
campanha no 2º turno ganhou quase 2/3 dos cariocas, representando uma grande vitória política, eleitoral e ideológica também em nossa Cidade, invertendo a lógica do 1º turno, quando a nova onda de oposição da mídia alavancou Alckmin a 30% e Heloisa Helena a 20%.
4. No 1º turno da campanha presidencial as atividades de rua e os materiais de propaganda foram pífios, impedindo maiores contribuições da militância, embora haja destaque para os dois comícios com Crivella realizados na Cinelândia e na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. É
importante registrar os melhores resultados de Lula versus Alckmin na Cidade, os quais desvendam
o perfil de classes do voto carioca: 53% X 25% em Santa Cruz, 50% X 25% em Campo Grande, 49% X 24% em Bangu, bairros da Zona Oeste que detêm um quarto do eleitorado carioca, e 53% X 23% nos Complexos do Alemão, da Maré e do Jacarezinho, áreas populares. Os melhores resultados de Alckmin foram: 50% X 27% na Barra da Tijuca, 45% X 29% na Zona Sul e 38% X 31% na Grande Tijuca, áreas de moradores com maior renda na Cidade.
5. Para Governador, o Partido fez a campanha de Vladimir que, mesmo realizando uma
campanha articulada com a presidencial e tendo um resultado equilibrado em toda a Cidade (7%),
não acompanhou, infelizmente, as votações expressivas de Lula. Cabral que chegou em segundo
lugar no 1º turno, com melhores resultados na Zona Oeste, passa de 32% para 58% no 2º turno. Denise passa de 33% passa para 41%, só mantendo a liderança na Zona Sul, Grande Tijuca e Barra, sustentada assim pelo voto anti-Lula e contra os Garotinhos. Ainda no 1º turno, Crivella também se destacou na Zona Oeste, variando de 19% a 23% e Eduardo Paes teve o melhor resultado de 12% em na Barra e Jacarepaguá.
com apoiadores e outras forças para garantir uma vitória folgada na Cidade. A aliança entre a direita e segmentos conservadrores da sociedade, pautada por um discurso retrógrado e utlizando-se de expedientes criminosos como materiais apócrifos sobre o aborto contra Jandira, contribuíram na
elevada votação de Dorneles na capital (37%) e para a sua vitória no Senado.
8. Pelo resultado de Lula, há que se destacar também o não aproveitamento de todo o potencial da dobradinha Lula/Jandira, como revela o resultado de Santa Cruz e de outras áreas populares,
apesar dos esforços de campanha.
9. Comparando a votação de 2006, que apresentou uma variação de 35% a 43% nas 10 áreas da Cidade, com os resultados de 2002 e 2004, podemos visualizar a maior aceitação do nome de Jandira e a grande ampliação de votação em toda a Cidade. Em 2002, para federal Jandira variou de 2,5% em Santa Cruz a 7,1% na Grande Tijuca; já em 2004, para prefeitura, a variação foi de 3,7% em Santa Cruz a 10,1% na Grande Tijuca. As maiores expansões em 2006 se deram nas áreas populares e na zona oeste. Em números absolutos, em 2002 foram 171 mil votos, em 2004 um total de 238 mil votos, em 2006 a votação chegou a 1 milhão e 178 mil na capital. Com este
resultado, Jandira se credenciou como a principal liderança da esquerda carioca.
10. O PCdoB apresentou para a disputa 37 candidatos a Deputado Estadual, os quais obtiveram mais de 50% de sua votação na capital, somando 72.194 votos, o que significa mais do que o coeficiente de vereador em 2004 (65 mil votos) e do que a projeção para 2008 (70 mil votos). Fernando Gusmão, candidato prioritário a estadual, obteve 34.925 votos na Capital (85% do seu total), se elegendo como um “deputado da Cidade”. Para Deputado Federal, os 9 candidatos do PcdoB tiveram mais de 50% de votos na capital. Edmilson Valentim, candidato prioritário eleito federal, teve 45.144 e os demais 12.177, num total de 57.321, próximo ao coeficiente para 1
vereador.
14. Com o fim das eleições, os projetos do Governo Federal no Rio foram revitalizados e ampliados, calcados na aliança Cabral-Lula. Muitos recursos já foram anunciados em várias áreas:
saneamento, saúde, segurança, educação, obras de infra-estrutura, inclusão social e outros,
gerando expectativas de maior desenvolvimento e geração de empregos na Cidade e no Estado. O PMDB e o PT, principalmente, vêm obtendo maiores dividendos políticos neste processo, ampliando suas influências também na capital.
SOBRE O GOVERNO MUNICIPAL E A CÂMARA DE VEREADORES Concluindo um ciclo do executivo municipal que ano que vem completará 16 anos (1993/2008),
o Partido mantém sua oposição ao governo do PFL/DEM, intensificando sua inserção e
17. O atual governo vem aprovando com facilidade suas propostas de orçamentos anuais, voltados para os interesses dos grandes capitalistas dos setores da construção civil, do capital
imobiliário e de especulação de terras, de turismo, de transporte coletivo, garantindo vários acordos e normas também para o livre funcionamento do setor financeiro, dos grandes grupos industriais e
comerciais, mantendo o município com um nível elevado de endividamento, além de uma duvidosa
gestão financeira. Uma prefeitura governada para atender os interesses de mercado, sem intervir a favor das grandes questões deficitárias da Cidade como transportes, moradia e saúde.
18. Um governo municipal de oposição sistemática ao governo Lula com boicotes e atrasos nos programas sociais federais. Caso emblemático foi o do não cumprimento das metas dos
Jogos Panamericanos, sem que, no entanto, a sociedade tenha se dado conta da sua inépcia na
organização e estruturação do evento, que graças ao socorro das verbas da União foi um sucesso. A prefeitura está fora do projeto de desenvolvimento nacional, mantendo sua política de pequenas intervenções urbanas. Seu governo é de cunho anti-democrático, sem relação com os movimentos sociais representativos do Rio, boicotando diversas atividades democráticas como as Conferências Municipais sobre Política das Mulheres e a das Cidades de 2007.
19. Em oposição ao Governo César Maia, Fernando Gusmão (2005/2006) e agora Roberto Monteiro em 2007 estiveram à frente das lutas com repercussão na Câmara, como a da não aprovação automática na educação municipal, buscando impedir o rolo compressor da bancada
governista e seus aliados conservadores, que conseguem regularmente aprovar as propostas neoliberais do prefeito. Roberto se destacou na construção do Bloco Parlamentar Progressista
na Câmara, hoje em processo de rearticulação devido a aprovação da fidelidade partidária, uma
aliança fundamental para a autonomia do parlamento carioca.
20. Os movimentos sociais têm intensificado as lutas contra o conservadorismo do Governo César Maia, fato revelado no processo das Conferências de Políticas Públicas. Ao mesmo tempo, apresentam propostas concretas para soluções progressistas para o Rio de Janeiro. A militância do
Partido tem participado destes movimentos, desenvolvendo ampla atividade sindical, estudantil e de associações de bairros.
21. Alinhado com as orientações nacionais de ousadia e conquista de prefeituras em 2008,
o Partido no Rio constrói um período de pré-campanha que viabilize uma nova campanha de Jandira para a prefeitura, buscando uma aliança ampla entre os partidos progressistas, uma maior relação com as principais lutas e movimentos da Cidade, a montagem de uma chapa completa de
vereadores (75 nomes) e uma maior estruturação do PCdoB carioca para se colocar à frente da aliança que governará a Cidade a partir de 2009.
22. A proposta de juntar o Bloco de Esquerda no Rio numa única candidatura se destaca na
atuação de nossa pré-campanha deste ano, onde o PCdoB considera que possui o melhor nome
para uma disputa vitoriosa, seja no 1º ou no 2° turno, hoje revelado no expressivo resultado para o senado em 2006 e confirmado inclusive por pesquisas eleitorais dos último meses, mas que devese levar em conta o legítimo direito das pré-candidaturas do PRB, do PDT e do PSB.
23. Para o fortalecimento do Partido no parlamento municipal é necessária a eleição de uma bancada de vereadores e a reeleição do vereador Roberto Monteiro, sendo fator decisivo a filiação
de lideranças progressistas que poderão disputar a vereança.
24. Na ampliação das alianças serão procurados os demais partidos da base do governo Lula,
principalmente PT e PMDB, partidos de sustentação a Sérgio Cabral no Estado.
o PRB (Crivella), o PSOL (Chico Alencar), o PPS (Denise Frossard), o PSDB (vários), o PV (Syrkis), PDT (vários), PMDB (talvez) e outros ainda indefinidos, o que reforçará a perspectiva de 2º turno e um processo bem alinhavado desde o 1º turno.
propostas avançadas para a Cidade, que contribuam efetivamente com o programa de governo para a prefeitura e com o debate de idéias sobre o futuro do Rio de Janeiro e do Brasil, que sirva de instrumento de discussão e atração do mais amplo apoio dos demais partidos políticos e setores organizados da sociedade.
II – QUANTO À ESTRUTURAÇÃO PARTIDÁRIA
• Desde a IXª Conferência Municipal (2005), mesmo antes da realização do 11ª Congresso,
o Partido procura implementar na Capital a linha definida no 1ª e no 2ª Encontro Nacional Sobre Questões de Partido, quando se estabeleceu a prioridade de organização partidária por relação de trabalho. A Direção Municipal, então eleita, refletiu esta política, com uma grande presença de
trabalhadores. Corretamente foram fortalecidas as OBs de trabalhadores, priorizando-as em relação
aos Comitês Distritais. Por ser o Distrital com maior concentração das categorias profissionais, o CD Centro foi o que mais se debilitou. Foram unificados os CDs Norte e Madureira; Méier e Suburbana; Leopoldina e Ilha; Sul, Orla e Rocinha; Vila Isabel e Tijuca.
contas do Partido.
• Participação nos comícios de Lula, na distribuição de materiais, de bandeiras, na
elaboração de panfletos para alguns candidatos e na agitação para os dias das eleições (1° e 2º turno).
com matéria sobre o Rio, embora com baixa circulação.
• Realização de dois fóruns de comunicação da capital. Participação de militantes na
FARC e na TVC.
• Venceu-se os desafios de equilibrar receita e despesas e quitação de dívidas. Buscamos
trabalhar pelo fortalecimento e ampliação da base de contribuição militante e implementamos ações de captação que se mostraram aquém das reais necessidades materiais.
• Destaque-se que as limitações financeiras ainda condicionam a ação partidária em vários
aspectos.
• Participação pequena na Campanha Nacional pela Sede Própria e Outubro Vermelho, na venda do bônus geral.
• Cumprimento das exigências legais com as finanças do Partido.
• Mobilização de militantes e organização de cursos da Escola Nacional/Estadual. Dificuldades de trabalho sistemático e com as publicações partidárias como a Revista Princípios.
• Militância sindical em diversas categorias e seus sindicatos, associações e comissões de fábricas, como nos metalúrgicos, ecetistas, cedaeanos, eletricitários, ferroviários, enfermeiros, previdenciários, bancários, professores, processamento de dados, moedeiros, advogados, engenheiros, metroviários, funcionários de universidades, rodoviários.
• Dificuldades em orientar o trabalho de base. Pouca articulação do coletivo do Partido com
as atividades sindicais.
• Participação dos jovens comunistas e da UJS na ocupação da Sede das entidades na Praia
do Flamengo.
• Eleição de grandes bancadas de delegados para os congressos da UNE e UEE, vitória da militância da UJS em várias chapas de DCE´s (UERJ, UFRJ, UVA, UGF, PUC, SUAM).
• Destaque para a atuação nas lutas urbanas como a do Plano Diretor, nas conferências da Cidade, na de Política Para as Mulheres e na de Saúde, processos articuladores de diversos
movimentos populares do último período de lutas.
• Realização da Plenária Municipal da Conferência Nacional sobre a Questão da Mulher dia 17/03 na UFRJ – Praia Vermelha; participação municipal na Plenária Estadual e apoio à delegação
na etapa nacional.
• Desenvolvimento do trabalho da UBM no movimento geral de mulheres, abrindo caminho
para uma ampliação em todo o município.
Luta contra o Racismo
• Retomada ainda insuficiente do trabalho e na construção da UNEGRO carioca durante o
processo do Congresso Nacional realizado no Rio de Janeiro.
Atividades gerais organizadas pelo Comitê Municipal
• Comemoração dos aniversários de 84 e 85 anos do Partido: em frente ao EDISE e na Av.
Rio Branco.
• Realização de duas festas de final de ano em 2005 e 2006: no Buraco do Lume e no Centro
Cultural Memórias do Rio na Rua Gomes Freire.
1-Preparar o coletivo partidário para enfrentar a batalha eleitoral de 2008, de forma organizada, privilegiando o fluxo da campanha a ser realizada pelos comunistas, a partir da estrutura partidária, buscando ampliá-la com os vários segmentos sociais, garantindo a necessária capilaridade nas diversas áreas.
2-Incorporar à vida partidária a grande quantidade de novos filiados, vindos de diversos setores da sociedade carioca: operários, estudantes, profissionais liberais, artistas, pequenos empresários, dirigentes sindicais, estudantes, comunitários, lideranças em
seus locais de atuação.
3-Estabelecer uma maior integração entre as coordenações de campanha e as direções Municipal, de OBs e dos Comitês Auxiliares, de modo a potencializar nossa força
eleitoral. 4-Fortalecer as direções das Organizações de Base, estabelecendo prioridades de acompanhamento. 5-Verificar possibilidade de constituir o Comitê de Energia (com as OB´S de trabalhadores da Petrobrás, Eletronuclear, Light, CEG, Furnas, ANP). 6-Fortalecer as direções dos comitês de categorias de Metalúrgicos, de Seguridade Social e de Educação. 7-Constituir e fortalecer as novas direções nos Comitês Distritais: Méier, Norte, Campo
Grande e Bangu.
8-Preparar projeto de comunicação municipal de caráter de massas, articulado com a Comunicação Nacional e Estadual e o projeto eleitoral. 9-Organizar a Escola Municipal de Formação e uma efetiva Comissão Municipal de Formação, em articulação com a Formação Nacional e Estadual. 10-Garantir a efetiva contribuição anual da maioria da militância partidária. 11-Construção da nova central classista na capital. 12-Apoiar a UJS para se consolidar como a principal força de juventude da Cidade. 13-Constituir a Secretaria Municipal sobre a Questão da Mulher.
14-Renovar o projeto da UBM carioca com mais participação da militância comunista. 15-Criar o Coletivo de Luta Anti-racista. 16-Criar o Coletivo sobre a Questão Ambiental. 17-Realizar um Seminário sobre a Reforma Urbana, onde seja possível a discussão de
políticas de moradia, saúde e educação nas comunidades. 18-Reforçar a implementação de política de quadros de forma continuada.
Rio de Janeiro, 20 de outubro de 2007. 10ª Conferência Municipal do Partido Comunista do Brasil – Rio de Janeiro / RJ.